domingo, 7 de julho de 2019

Exílio

Toda noite, ao deitar, me sinto mais atenta a três coisas: o tempo, a morte, e a solidão. 

Exilada de mim mesma, a sensibilidade aguça. O tempo ganha um valor diferente, a solidão se torna inegociável, e a morte vem ter contigo. E não. Não são sentimentos de pavor. É que você costura uma outra camada no tecido dos sentires. Você aprofunda, e ao mesmo tempo, evapora. 

Neste lugar, percebi-me etérea. Nada. Sopro. Fumaça, translúcida, contínua, desse frágil pavio ao qual chamamos vida. Exilar me fez ver. E, vendo, passei a valorizar umas coisas, e outras, se perderam. 

Perdi a mim mesma. Olho pra trás. Não há caminho. Não há pra onde voltar.

(Julho/2019)

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