terça-feira, 6 de agosto de 2019

Sem mais despedidas

Já fiz tantas e tantas despedidas.
Já escrevi tantas cartas de adeus.
Já dei tantos abraços sabendo que eram os últimos...
Já pedi perdões que não poderão me ser dados.
O que podia ser dito já foi dito.
O que não pode ser dito, levarei comigo.

Partirei sem aviso, sem alarde.
Em silêncio, só espero o momento certo.
Sem mais despedidas.

Cansada...

o fio da luz do sol vazando pelo pequeno espaço entre as cortinas tenta trazer um pouco de claridade ao quarto. já passa de meio dia e o peso do meu corpo ainda faz pressão sobre a cama, enquanto o barulho do ventilador tenta cortar o silêncio. 

eu me sinto sozinha.
tem aquele choro preso na garganta e o medo de tentar colocar para fora toda essa confusão. 
eu penso em te mandar alguma mensagem, mas não quero transparecer o desespero e o medo.
eu respondo as mensagens da minha mãe falando que tá tudo bem e tento acreditar que é só um momento de desespero que eu preciso aguentar sozinha.
eu peço calma. 
eu pressiono meu corpo cada vez mais apertado como se através do meu abraço eu conseguisse trazer o conforto de que as coisas vão ficar bem. 
eu me pergunto, incansavelmente, como eu cheguei aqui. em que momento as coisas desandaram, eu perdi o controle e simplesmente estou aqui entregue ao nada.
eu tenho que levantar.
já perdi a manhã e não aguento mais tentar me distrair com os joguinhos no celular.
as redes sociais não foram feitas para desabafos desesperados que podem ser lidos como a necessidade de chamar atenção. então, eu fico em silêncio.
eu explodo por dentro.
eu transbordo um pouco e deixo as lágrimas escorrerem no travesseiro molhado. 

eu sei que as coisas vão se ajeitar.

mas tem eu.
tem essa bagunça toda aqui.
tem todo esse desespero explodindo dentro de mim.

e isso. 
essa dor. 
cada vez maior.
cada vez pior.
cada vez por mais tempo.

essa dor parece que nunca vai ter um fim.

Sobre me amar - e não conseguir

eu sinto o peso do cansaço que me pressiona  e tento organizar de maneira calma e precisa esse turbilhão de coisas que se alojam na minha cabeça. 

eu não olho meu corpo, pois aprendi que ele apenas seria caminho e não lar. 
não há necessidade de cuidar daquilo que só serve para ser usado, tocado, abusado e descartado. 
me foi ensinado que talvez essa seria a minha única utilidade e junto com ela veio a certeza de que não cabe a mim amar alguma parte revestida de pele que carrego comigo. 
eu me odiei em todos os momentos em que me olhar no espelho era desconfortável e acredite, continua sendo.
me cobrei, incansavelmente, que deveria ser boa para o mundo na expectativa de algum momento enxergar algum valor, por menor que seja, vinculado a mim. 
eu fui boa para todos da forma exata que eu desejo ser boa para mim e nunca consegui.
tenho sido minha pior inimiga e o cansaço às vezes me faz querer desistir dessa incansável luta.
mas eu não desisto.
eu só choro.
eu só sinto a sensação de derrota me consumindo e a raiva por ser tão vulnerável.

dói sempre, mas eu não desisto.

eu não sei se um dia vou me amar ou vou acreditar no amor que me oferecem. eu não sei se em algum momento vou olhar para o meu corpo e sentir a real confiança de estar bem comigo. 
eu não posso te pedir que me ame e que deseje cada parte minha destroçada, pois eu sei o quão difícil deve ser amar alguém como eu.

eu tento, incansavelmente, a bastante tempo me amar.
desculpa.
eu ainda não consegui.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Criando boas lembranças

Fiz uma bucket list.
Descartei-a quase por completo.
Era fantasiosa. Surreal.
Eram os desejos de uma vida inteira.
Mas não há tempo. Não há forças.

Criei uma nova lista.
Tem apenas dois itens:
1 - Ver o pôr do Sol na Praia Vermelha
2 - Criar boas lembranças

Como as pessoas vão lembrar de mim quando eu não estiver aqui? 
Espero que da melhor maneira possível.

Então a minha bucket list está acontecendo, dia após dia.
Ver bons amigos.
Falar besteira.
Contar piada.
Rir de doer a barriga.
Gargalhar alto sem vergonha.
E no final, aquele abraço um segundo mais longo.
(Porque pode ser o último!)
Pra eles, apenas mais um encontro de amigos.
Pra mim, secretamente, uma preparação da minha partida.

Em alegria, em amor. Sem lágrimas, só risadas.
É só isso que eu vou levar.
É isso que eu quero deixar.



quinta-feira, 11 de julho de 2019

Mandando (e recebendo) a real

Participação especial: minha Sombra


Olhe pra você 

Uma mulher violada 

Uma mulher despedaçada 

Tantas vezes remendada 

Abatida pela dor

Sem brilho nos olhos

O que restou de você além de farrapos

Além da sombra do que você foi no passado?

Abandone as esperanças 

De ser amada 

De ser desejada 

De ser querida 

Abandone as esperanças 

De que você voltará a ser a mesma de antes 

Pra que lutar se tudo o que você consegue

É sentir mais dor ?

Pra que amar se tudo o que você consegue

É partir seu coração cada vez mais?


Olhe só pra você

Se prendendo a uma vida 

Que já não tem mais nada de bom

Pra te proporcionar 

Se agarrando a promessas

Que não poderá cumprir 

Fazendo planos 

Que não poderá concretizar 

Olhe só pra você 

Sem coragem 

De colocar um ponto final em tudo

domingo, 7 de julho de 2019

Exílio

Toda noite, ao deitar, me sinto mais atenta a três coisas: o tempo, a morte, e a solidão. 

Exilada de mim mesma, a sensibilidade aguça. O tempo ganha um valor diferente, a solidão se torna inegociável, e a morte vem ter contigo. E não. Não são sentimentos de pavor. É que você costura uma outra camada no tecido dos sentires. Você aprofunda, e ao mesmo tempo, evapora. 

Neste lugar, percebi-me etérea. Nada. Sopro. Fumaça, translúcida, contínua, desse frágil pavio ao qual chamamos vida. Exilar me fez ver. E, vendo, passei a valorizar umas coisas, e outras, se perderam. 

Perdi a mim mesma. Olho pra trás. Não há caminho. Não há pra onde voltar.

(Julho/2019)

Sem título, sem nada

Insensato eu estar aqui, e viva.  Insensato, isso de sobreviver: mas cá estou, na aparência inteira.  Por onde vou deixo o rastro...