o fio da luz do sol vazando pelo pequeno espaço entre as cortinas tenta trazer um pouco de claridade ao quarto. já passa de meio dia e o peso do meu corpo ainda faz pressão sobre a cama, enquanto o barulho do ventilador tenta cortar o silêncio.
eu me sinto sozinha.
tem aquele choro preso na garganta e o medo de tentar colocar para fora toda essa confusão.
eu penso em te mandar alguma mensagem, mas não quero transparecer o desespero e o medo.
eu respondo as mensagens da minha mãe falando que tá tudo bem e tento acreditar que é só um momento de desespero que eu preciso aguentar sozinha.
eu peço calma.
eu pressiono meu corpo cada vez mais apertado como se através do meu abraço eu conseguisse trazer o conforto de que as coisas vão ficar bem.
eu me pergunto, incansavelmente, como eu cheguei aqui. em que momento as coisas desandaram, eu perdi o controle e simplesmente estou aqui entregue ao nada.
eu tenho que levantar.
já perdi a manhã e não aguento mais tentar me distrair com os joguinhos no celular.
as redes sociais não foram feitas para desabafos desesperados que podem ser lidos como a necessidade de chamar atenção. então, eu fico em silêncio.
eu explodo por dentro.
eu transbordo um pouco e deixo as lágrimas escorrerem no travesseiro molhado.
eu sei que as coisas vão se ajeitar.
mas tem eu.
tem essa bagunça toda aqui.
tem todo esse desespero explodindo dentro de mim.
e isso.
essa dor.
cada vez maior.
cada vez pior.
cada vez por mais tempo.
essa dor parece que nunca vai ter um fim.
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