terça-feira, 6 de agosto de 2019

Sobre me amar - e não conseguir

eu sinto o peso do cansaço que me pressiona  e tento organizar de maneira calma e precisa esse turbilhão de coisas que se alojam na minha cabeça. 

eu não olho meu corpo, pois aprendi que ele apenas seria caminho e não lar. 
não há necessidade de cuidar daquilo que só serve para ser usado, tocado, abusado e descartado. 
me foi ensinado que talvez essa seria a minha única utilidade e junto com ela veio a certeza de que não cabe a mim amar alguma parte revestida de pele que carrego comigo. 
eu me odiei em todos os momentos em que me olhar no espelho era desconfortável e acredite, continua sendo.
me cobrei, incansavelmente, que deveria ser boa para o mundo na expectativa de algum momento enxergar algum valor, por menor que seja, vinculado a mim. 
eu fui boa para todos da forma exata que eu desejo ser boa para mim e nunca consegui.
tenho sido minha pior inimiga e o cansaço às vezes me faz querer desistir dessa incansável luta.
mas eu não desisto.
eu só choro.
eu só sinto a sensação de derrota me consumindo e a raiva por ser tão vulnerável.

dói sempre, mas eu não desisto.

eu não sei se um dia vou me amar ou vou acreditar no amor que me oferecem. eu não sei se em algum momento vou olhar para o meu corpo e sentir a real confiança de estar bem comigo. 
eu não posso te pedir que me ame e que deseje cada parte minha destroçada, pois eu sei o quão difícil deve ser amar alguém como eu.

eu tento, incansavelmente, a bastante tempo me amar.
desculpa.
eu ainda não consegui.

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