Tudo o que quer dizer
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração
Silenciosamente eu te falo com paixão
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer
“Nesse caderno sei que ainda estão / Os versos seus / Tão meus que peço / Nos versos meus / Tão seus que esperem / Que os aceite em paz / Eu digo que eu sou / O antigo do que vai adiante / Sem mais, eu fico onde estou / Prefiro continuar distante...”
derreter, morrer, agradecer à nossa senhora da pequena morte e
dormir uma dormidinha antes de começar tudo de novo.
e de novo. e de novo e de novo. começo a perceber não há saída
senão se entregar e se entregar sabendo que tudo me espera.
mas eu não quero esperar. essa angústia me paralisa. a dor me incapacita. queria não acordar mais. queria cegueira e surdez. queria não acordar mais. nunca mais. as coisas ruins vão ocupando os espaços livres e depois os ocupados e depois tudo, até o ar, enquanto eu sufoco sozinha no silêncio. não tenho forças para brigar contra isso nem contra nada. não tenho nem voz.
mas tem um monte de coisas que precisam ser feitas lá fora, então eu vou, vou fingir toda a sanidade, vou sorrir e fingir, vou cumprir os protocolos, as coisas que precisam ser feitas.
vou me desviar de tudo e depois voltar para casa insalubre e tentar esquecer quem eu sou.Me desculpe por estar vivendo dentro da minha cabeça.
Me segurando em palavras que eu ainda não disse.
Eu estou cansada, me culpando por coisas que não vi.
Você precisa saber que estou buscando minha paz.
You can't help me.
Insensato eu estar aqui, e viva. Insensato, isso de sobreviver: mas cá estou, na aparência inteira. Por onde vou deixo o rastro...