segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Mas eu sou medo e desejo, eu sou feita de silêncio e som...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração
Silenciosamente eu te falo com paixão
Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

De volta ao lugar de onde nunca saí

Poeira assentando
À minha vida as coisas vão voltando ao normal
A música acabou 
As luzes se apagaram 
O show chegou ao fim

O mundo gira 
A vida prossegue 
O tempo corre

Obrigada estou 
A enfrentar o vazio em mim
Não há mais lágrimas a chorar 
Não há mais sangue pra escorrer 
Não há mais lamento a gritar 
Sou corpo vagando em suspenso 
Pulsando indolor e inutilmente 
Até que se faça concreta
A morte que já existe dentro de mim

domingo, 15 de setembro de 2019

Sufocada pelo peso do silêncio

Não existiria som 
Se não houvesse o silêncio 
Não haveria luz 
Se não fosse a escuridão 
A vida é mesmo assim, 
Dia e noite, não e sim... 

Cada voz que canta o amor não diz 
Tudo o que quer dizer, 
Tudo o que cala fala 
Mais alto ao coração. 
Silenciosamente eu te falo com paixão... Eu te amo calado, 
Como quem ouve uma sinfonia 
De silêncios e de luz. 
Mas somos medo e desejo, 
Somos feitos de silêncio e som, 
Tem certas coisas que eu não sei dizer... 

A vida é mesmo assim, 
Dia e noite, não e sim... 
Eu te amo calado, 
Como quem ouve uma sinfonia 
De silêncios e de luz, 
Mas somos medo e desejo, 
Somos feitos de silêncio e som,
tem certas coisas que eu não sei dizer...  
E digo. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Quem disse?

quem disse que eu quero sair dessa, eu quero esquecer isso tudo,

derreter, morrer, agradecer à nossa senhora da pequena morte e 

dormir uma dormidinha  antes de começar tudo de novo.

e de novo. e de novo e de novo. começo a perceber não há saída 

senão se entregar e se entregar sabendo que tudo me espera.


mas eu não quero esperar. essa angústia me paralisa. a dor me incapacita. queria não acordar mais. queria cegueira e surdez. queria não acordar mais. nunca mais. as coisas ruins vão ocupando os espaços livres e depois os ocupados e depois tudo, até o ar, enquanto eu sufoco sozinha no silêncio. não tenho forças para brigar contra isso nem contra nada. não tenho nem voz. 

mas tem um monte de coisas que precisam ser feitas lá fora, então eu vou, vou fingir toda a sanidade, vou sorrir e fingir, vou cumprir os protocolos, as coisas que precisam ser feitas. 

vou me desviar de tudo e depois voltar para casa insalubre e tentar esquecer quem eu sou.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Silêncio

não é luto. 
não é que eu queira. 
simplesmente me calo.  
quase muda. 
a solidão que não passa. 
quase passa. 
as noites que não tem mais hora de começar e uma vontade que beira o incontrolável de fechar os olhos e ser levada pela mão, levada até algum lugar, nem que seja até a cama quando durmo no sofá ou quando fico presa sem conseguir dormir, acordada sem fazer nada, fazendo nada no automático até a exaustão, até os ombros endurecerem, até eu endurecer inteira junto com o ar que também fica espesso. 

aprendi que não existem certezas - e desaprendi com o tempo para sobreviver. as unhas descascam, os pés acordam gelados, as pontas dos dedos ficam roxas e as olheiras não se vão. 

uma pausa. 
alguns delírios. 
a falta do que nunca tive. 
uma mistura de saudade, desesperança, resignação e o peso do tempo passando e cada momento escorrendo pelo dedos sem piedade. 
só mais um capítulo do que já passou e do que está por vir. 
sob o peso da dor, agora me calo com os olhos baixos; é melhor ficar em silêncio quando não há nada a dizer.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Saudades de mim

Que saudade. 
Saudade de quando era eu, meu computador e meus gatos contra o mundo, numa fúria e um vigor que eu nunca mais vi, porque eu nem sei mais quem eu sou. 
Que saudade de mim. 
A vida nunca foi tão difícil e tão bagunçada e caótica e triste, triste, melancólica, tensa, me tornei uma pessoa que aperta os dentes, morde as bochechas e esconde as mãos no meio das pernas cruzadas. Essa não sou eu. 
Quem é essa aqui agora? 
Eu sei quem eu era. E eu gostava de quem eu era. 
Essa mina aqui eu não gosto. Não sei quem é, não sei o que ela vai aprontar na próxima noite, o próximo ataque que ela vai ter, a próxima crise, o próximo sufoco que ela vai passar, a dor, meu deus a dor. Que medo eu tenho dela... como tudo fica escuro quando ela vem...

Quem é essa que habita o meu corpo agora? Eu não conheço, não gosto e não consigo expulsá-la. Alguém por favor me ajuda porque sozinha eu não estou conseguindo. 
Que saudade de mim. 
Me tornei uma pessoa tensa, gelada, dedos gelados, ombros tesos, dentes cerrados. Timidez num corpo de pavão. Ninguém me salva, ninguém me inspira, ninguém me chama, ninguém me olha. Eu não me salvo. Estou lentamente enterrando a minha vida. Eu sempre soube que um dia não seria tão fácil escolher entre a vida e a morte.
Agora eu não tenho mais escolha. Estou presa aqui por uma promessa.
Tudo me foi tirado de mim, não tenho mais nada a perder, e como todo mundo sabe as pessoas mais perigosas são aquelas que não têm nada a perder. 
Mas eu não posso mais me machucar. Estou presa nesse corpo, nessa vida.
E não sei o que fazer com ela. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Por trás das risadas

Me desculpe por estar vivendo dentro da minha cabeça.

Me segurando em palavras que eu ainda não disse.

Eu estou cansada, me culpando por coisas que não vi.


Você precisa saber que estou buscando minha paz.


You can't help me.

Sem título, sem nada

Insensato eu estar aqui, e viva.  Insensato, isso de sobreviver: mas cá estou, na aparência inteira.  Por onde vou deixo o rastro...