não é luto.
não é que eu queira.
simplesmente me calo.
quase muda.
a solidão que não passa.
quase passa.
as noites que não tem mais hora de começar e uma vontade que beira o incontrolável de fechar os olhos e ser levada pela mão, levada até algum lugar, nem que seja até a cama quando durmo no sofá ou quando fico presa sem conseguir dormir, acordada sem fazer nada, fazendo nada no automático até a exaustão, até os ombros endurecerem, até eu endurecer inteira junto com o ar que também fica espesso.
aprendi que não existem certezas - e desaprendi com o tempo para sobreviver. as unhas descascam, os pés acordam gelados, as pontas dos dedos ficam roxas e as olheiras não se vão.
uma pausa.
alguns delírios.
a falta do que nunca tive.
uma mistura de saudade, desesperança, resignação e o peso do tempo passando e cada momento escorrendo pelo dedos sem piedade.
só mais um capítulo do que já passou e do que está por vir.
sob o peso da dor, agora me calo com os olhos baixos; é melhor ficar em silêncio quando não há nada a dizer.
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