quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Quem disse?

quem disse que eu quero sair dessa, eu quero esquecer isso tudo,

derreter, morrer, agradecer à nossa senhora da pequena morte e 

dormir uma dormidinha  antes de começar tudo de novo.

e de novo. e de novo e de novo. começo a perceber não há saída 

senão se entregar e se entregar sabendo que tudo me espera.


mas eu não quero esperar. essa angústia me paralisa. a dor me incapacita. queria não acordar mais. queria cegueira e surdez. queria não acordar mais. nunca mais. as coisas ruins vão ocupando os espaços livres e depois os ocupados e depois tudo, até o ar, enquanto eu sufoco sozinha no silêncio. não tenho forças para brigar contra isso nem contra nada. não tenho nem voz. 

mas tem um monte de coisas que precisam ser feitas lá fora, então eu vou, vou fingir toda a sanidade, vou sorrir e fingir, vou cumprir os protocolos, as coisas que precisam ser feitas. 

vou me desviar de tudo e depois voltar para casa insalubre e tentar esquecer quem eu sou.

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