terça-feira, 29 de outubro de 2019

Pra quem fica, um consolo

Fiz um post no Face sobre suicídio.
Não será meu último post; mas espero que ele seja lembrado.
Espero que alguém entenda a mensagem que deixei subentendida: sigam em frente em paz! O que quer que eu faça comigo, ou o quer que aconteça com a vida, TUDO será culpa exclusivamente minha.

Nada me faltou. Nem amor, nem carinho, nem atenção. 
Pena que ninguém lerá essas palavras. 
Queria muito dizer que, depois da minha partida, a terra continuará girando e o Sol continuará nascendo a cada dia.
Que vocês chorarão um dia, uma semana, um mês e que depois a vida continuará como sempre.
Que a morte não é o fim pra quem fica.

Liberto todos vocês da culpa, meus amores! Levo comigo o carinho que recebi de vocês...

sábado, 26 de outubro de 2019

Me abraça

eu sempre vou ser essa pessoa sensível
que carrega suas crenças sobre os ombros e que busca ser o melhor para o outro, pois meus olhos e meu corpo estão cansados de só sentir as marcas que o mundo faz questão de deixar pela pele e que não são tão fáceis de superar. 
então, por favor, me abraça.
me abraça não como quem tem o poder de cura ou de entender essa bagunça que eu sou. 
eu sei que há coisas que soam como “pedir demais”, mas me toca. 
toca meu rosto como quem numa tentativa simples deseja apenas mostrar sua presença. 
enxuga a lágrima que teima em escorrer pelo meu rosto ou encosta minha cabeça no teu peito para que eu sinta o conforto de não estar só. 
deixa eu te sentir.
rasga o silêncio, mesmo que seja para falar que não sabe o que fazer. 
por favor, perceba que eu busco uma base onde possa descansar e que hoje, mais do que nunca, eu desejo achar em você.
ouça atentamente a batida do meu peito e sinta minha pele quente que evidencia o quanto eu quero apenas ser sua e seguir em paz.
me abraça.
por favor, me abraça. 
aperta meu corpo contra o teu enquanto eu digo que eu tenho medo de não saber lidar com tudo aquilo que sinto. me abraça enquanto eu sufoco meu grito de desejo por ti.
eu tenho buscado não me afogar nesse mar em ressaca de pensamentos ruins que teimam em impulsionar meu corpo para distante da razão. 
eu quero ficar bem, eu quero estar bem, eu quero sentir o conforto e respirar aliviado tendo a certeza de que tudo vai ficar bem, independentemente do que aconteça.

então, por favor, me abraça.
e não desiste de mim.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Mas eu sou medo e desejo, eu sou feita de silêncio e som...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração
Silenciosamente eu te falo com paixão
Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

De volta ao lugar de onde nunca saí

Poeira assentando
À minha vida as coisas vão voltando ao normal
A música acabou 
As luzes se apagaram 
O show chegou ao fim

O mundo gira 
A vida prossegue 
O tempo corre

Obrigada estou 
A enfrentar o vazio em mim
Não há mais lágrimas a chorar 
Não há mais sangue pra escorrer 
Não há mais lamento a gritar 
Sou corpo vagando em suspenso 
Pulsando indolor e inutilmente 
Até que se faça concreta
A morte que já existe dentro de mim

domingo, 15 de setembro de 2019

Sufocada pelo peso do silêncio

Não existiria som 
Se não houvesse o silêncio 
Não haveria luz 
Se não fosse a escuridão 
A vida é mesmo assim, 
Dia e noite, não e sim... 

Cada voz que canta o amor não diz 
Tudo o que quer dizer, 
Tudo o que cala fala 
Mais alto ao coração. 
Silenciosamente eu te falo com paixão... Eu te amo calado, 
Como quem ouve uma sinfonia 
De silêncios e de luz. 
Mas somos medo e desejo, 
Somos feitos de silêncio e som, 
Tem certas coisas que eu não sei dizer... 

A vida é mesmo assim, 
Dia e noite, não e sim... 
Eu te amo calado, 
Como quem ouve uma sinfonia 
De silêncios e de luz, 
Mas somos medo e desejo, 
Somos feitos de silêncio e som,
tem certas coisas que eu não sei dizer...  
E digo. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Quem disse?

quem disse que eu quero sair dessa, eu quero esquecer isso tudo,

derreter, morrer, agradecer à nossa senhora da pequena morte e 

dormir uma dormidinha  antes de começar tudo de novo.

e de novo. e de novo e de novo. começo a perceber não há saída 

senão se entregar e se entregar sabendo que tudo me espera.


mas eu não quero esperar. essa angústia me paralisa. a dor me incapacita. queria não acordar mais. queria cegueira e surdez. queria não acordar mais. nunca mais. as coisas ruins vão ocupando os espaços livres e depois os ocupados e depois tudo, até o ar, enquanto eu sufoco sozinha no silêncio. não tenho forças para brigar contra isso nem contra nada. não tenho nem voz. 

mas tem um monte de coisas que precisam ser feitas lá fora, então eu vou, vou fingir toda a sanidade, vou sorrir e fingir, vou cumprir os protocolos, as coisas que precisam ser feitas. 

vou me desviar de tudo e depois voltar para casa insalubre e tentar esquecer quem eu sou.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Silêncio

não é luto. 
não é que eu queira. 
simplesmente me calo.  
quase muda. 
a solidão que não passa. 
quase passa. 
as noites que não tem mais hora de começar e uma vontade que beira o incontrolável de fechar os olhos e ser levada pela mão, levada até algum lugar, nem que seja até a cama quando durmo no sofá ou quando fico presa sem conseguir dormir, acordada sem fazer nada, fazendo nada no automático até a exaustão, até os ombros endurecerem, até eu endurecer inteira junto com o ar que também fica espesso. 

aprendi que não existem certezas - e desaprendi com o tempo para sobreviver. as unhas descascam, os pés acordam gelados, as pontas dos dedos ficam roxas e as olheiras não se vão. 

uma pausa. 
alguns delírios. 
a falta do que nunca tive. 
uma mistura de saudade, desesperança, resignação e o peso do tempo passando e cada momento escorrendo pelo dedos sem piedade. 
só mais um capítulo do que já passou e do que está por vir. 
sob o peso da dor, agora me calo com os olhos baixos; é melhor ficar em silêncio quando não há nada a dizer.

Sem título, sem nada

Insensato eu estar aqui, e viva.  Insensato, isso de sobreviver: mas cá estou, na aparência inteira.  Por onde vou deixo o rastro...