quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Quem disse?

quem disse que eu quero sair dessa, eu quero esquecer isso tudo,

derreter, morrer, agradecer à nossa senhora da pequena morte e 

dormir uma dormidinha  antes de começar tudo de novo.

e de novo. e de novo e de novo. começo a perceber não há saída 

senão se entregar e se entregar sabendo que tudo me espera.


mas eu não quero esperar. essa angústia me paralisa. a dor me incapacita. queria não acordar mais. queria cegueira e surdez. queria não acordar mais. nunca mais. as coisas ruins vão ocupando os espaços livres e depois os ocupados e depois tudo, até o ar, enquanto eu sufoco sozinha no silêncio. não tenho forças para brigar contra isso nem contra nada. não tenho nem voz. 

mas tem um monte de coisas que precisam ser feitas lá fora, então eu vou, vou fingir toda a sanidade, vou sorrir e fingir, vou cumprir os protocolos, as coisas que precisam ser feitas. 

vou me desviar de tudo e depois voltar para casa insalubre e tentar esquecer quem eu sou.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Silêncio

não é luto. 
não é que eu queira. 
simplesmente me calo.  
quase muda. 
a solidão que não passa. 
quase passa. 
as noites que não tem mais hora de começar e uma vontade que beira o incontrolável de fechar os olhos e ser levada pela mão, levada até algum lugar, nem que seja até a cama quando durmo no sofá ou quando fico presa sem conseguir dormir, acordada sem fazer nada, fazendo nada no automático até a exaustão, até os ombros endurecerem, até eu endurecer inteira junto com o ar que também fica espesso. 

aprendi que não existem certezas - e desaprendi com o tempo para sobreviver. as unhas descascam, os pés acordam gelados, as pontas dos dedos ficam roxas e as olheiras não se vão. 

uma pausa. 
alguns delírios. 
a falta do que nunca tive. 
uma mistura de saudade, desesperança, resignação e o peso do tempo passando e cada momento escorrendo pelo dedos sem piedade. 
só mais um capítulo do que já passou e do que está por vir. 
sob o peso da dor, agora me calo com os olhos baixos; é melhor ficar em silêncio quando não há nada a dizer.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Saudades de mim

Que saudade. 
Saudade de quando era eu, meu computador e meus gatos contra o mundo, numa fúria e um vigor que eu nunca mais vi, porque eu nem sei mais quem eu sou. 
Que saudade de mim. 
A vida nunca foi tão difícil e tão bagunçada e caótica e triste, triste, melancólica, tensa, me tornei uma pessoa que aperta os dentes, morde as bochechas e esconde as mãos no meio das pernas cruzadas. Essa não sou eu. 
Quem é essa aqui agora? 
Eu sei quem eu era. E eu gostava de quem eu era. 
Essa mina aqui eu não gosto. Não sei quem é, não sei o que ela vai aprontar na próxima noite, o próximo ataque que ela vai ter, a próxima crise, o próximo sufoco que ela vai passar, a dor, meu deus a dor. Que medo eu tenho dela... como tudo fica escuro quando ela vem...

Quem é essa que habita o meu corpo agora? Eu não conheço, não gosto e não consigo expulsá-la. Alguém por favor me ajuda porque sozinha eu não estou conseguindo. 
Que saudade de mim. 
Me tornei uma pessoa tensa, gelada, dedos gelados, ombros tesos, dentes cerrados. Timidez num corpo de pavão. Ninguém me salva, ninguém me inspira, ninguém me chama, ninguém me olha. Eu não me salvo. Estou lentamente enterrando a minha vida. Eu sempre soube que um dia não seria tão fácil escolher entre a vida e a morte.
Agora eu não tenho mais escolha. Estou presa aqui por uma promessa.
Tudo me foi tirado de mim, não tenho mais nada a perder, e como todo mundo sabe as pessoas mais perigosas são aquelas que não têm nada a perder. 
Mas eu não posso mais me machucar. Estou presa nesse corpo, nessa vida.
E não sei o que fazer com ela. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Por trás das risadas

Me desculpe por estar vivendo dentro da minha cabeça.

Me segurando em palavras que eu ainda não disse.

Eu estou cansada, me culpando por coisas que não vi.


Você precisa saber que estou buscando minha paz.


You can't help me.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Sem mais despedidas

Já fiz tantas e tantas despedidas.
Já escrevi tantas cartas de adeus.
Já dei tantos abraços sabendo que eram os últimos...
Já pedi perdões que não poderão me ser dados.
O que podia ser dito já foi dito.
O que não pode ser dito, levarei comigo.

Partirei sem aviso, sem alarde.
Em silêncio, só espero o momento certo.
Sem mais despedidas.

Cansada...

o fio da luz do sol vazando pelo pequeno espaço entre as cortinas tenta trazer um pouco de claridade ao quarto. já passa de meio dia e o peso do meu corpo ainda faz pressão sobre a cama, enquanto o barulho do ventilador tenta cortar o silêncio. 

eu me sinto sozinha.
tem aquele choro preso na garganta e o medo de tentar colocar para fora toda essa confusão. 
eu penso em te mandar alguma mensagem, mas não quero transparecer o desespero e o medo.
eu respondo as mensagens da minha mãe falando que tá tudo bem e tento acreditar que é só um momento de desespero que eu preciso aguentar sozinha.
eu peço calma. 
eu pressiono meu corpo cada vez mais apertado como se através do meu abraço eu conseguisse trazer o conforto de que as coisas vão ficar bem. 
eu me pergunto, incansavelmente, como eu cheguei aqui. em que momento as coisas desandaram, eu perdi o controle e simplesmente estou aqui entregue ao nada.
eu tenho que levantar.
já perdi a manhã e não aguento mais tentar me distrair com os joguinhos no celular.
as redes sociais não foram feitas para desabafos desesperados que podem ser lidos como a necessidade de chamar atenção. então, eu fico em silêncio.
eu explodo por dentro.
eu transbordo um pouco e deixo as lágrimas escorrerem no travesseiro molhado. 

eu sei que as coisas vão se ajeitar.

mas tem eu.
tem essa bagunça toda aqui.
tem todo esse desespero explodindo dentro de mim.

e isso. 
essa dor. 
cada vez maior.
cada vez pior.
cada vez por mais tempo.

essa dor parece que nunca vai ter um fim.

Sobre me amar - e não conseguir

eu sinto o peso do cansaço que me pressiona  e tento organizar de maneira calma e precisa esse turbilhão de coisas que se alojam na minha cabeça. 

eu não olho meu corpo, pois aprendi que ele apenas seria caminho e não lar. 
não há necessidade de cuidar daquilo que só serve para ser usado, tocado, abusado e descartado. 
me foi ensinado que talvez essa seria a minha única utilidade e junto com ela veio a certeza de que não cabe a mim amar alguma parte revestida de pele que carrego comigo. 
eu me odiei em todos os momentos em que me olhar no espelho era desconfortável e acredite, continua sendo.
me cobrei, incansavelmente, que deveria ser boa para o mundo na expectativa de algum momento enxergar algum valor, por menor que seja, vinculado a mim. 
eu fui boa para todos da forma exata que eu desejo ser boa para mim e nunca consegui.
tenho sido minha pior inimiga e o cansaço às vezes me faz querer desistir dessa incansável luta.
mas eu não desisto.
eu só choro.
eu só sinto a sensação de derrota me consumindo e a raiva por ser tão vulnerável.

dói sempre, mas eu não desisto.

eu não sei se um dia vou me amar ou vou acreditar no amor que me oferecem. eu não sei se em algum momento vou olhar para o meu corpo e sentir a real confiança de estar bem comigo. 
eu não posso te pedir que me ame e que deseje cada parte minha destroçada, pois eu sei o quão difícil deve ser amar alguém como eu.

eu tento, incansavelmente, a bastante tempo me amar.
desculpa.
eu ainda não consegui.

Sem título, sem nada

Insensato eu estar aqui, e viva.  Insensato, isso de sobreviver: mas cá estou, na aparência inteira.  Por onde vou deixo o rastro...