“Nesse caderno sei que ainda estão / Os versos seus / Tão meus que peço / Nos versos meus / Tão seus que esperem / Que os aceite em paz / Eu digo que eu sou / O antigo do que vai adiante / Sem mais, eu fico onde estou / Prefiro continuar distante...”
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Criando boas lembranças
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Mandando (e recebendo) a real
Participação especial: minha Sombra
Olhe pra você
Uma mulher violada
Uma mulher despedaçada
Tantas vezes remendada
Abatida pela dor
Sem brilho nos olhos
O que restou de você além de farrapos
Além da sombra do que você foi no passado?
Abandone as esperanças
De ser amada
De ser desejada
De ser querida
Abandone as esperanças
De que você voltará a ser a mesma de antes
Pra que lutar se tudo o que você consegue
É sentir mais dor ?
Pra que amar se tudo o que você consegue
É partir seu coração cada vez mais?
Olhe só pra você
Se prendendo a uma vida
Que já não tem mais nada de bom
Pra te proporcionar
Se agarrando a promessas
Que não poderá cumprir
Fazendo planos
Que não poderá concretizar
Olhe só pra você
Sem coragem
De colocar um ponto final em tudo
domingo, 7 de julho de 2019
Exílio
quarta-feira, 26 de junho de 2019
Mais uma carta de Adeus. (será a última? quem sabe?)
Ah, se você soubesse quão longas são as respostas que eu tenho para as suas perguntas... mas me falta a coragem de falar, então escrevo.
eu quero sempre ser sincera
contigo e comigo
eu tô um bagaço
olheira, boca seca, falta de apetite
eu ando cansada demais
minhas costas doem muito
às vezes tenho a sensação
que perdi mesmo a cabeça
mas os dias continuam
e eu vou dando um jeito
de ir com eles
você percebe que chamam a gente
de forte o tempo todo
mas esquecem que somos
carne e osso?
eu não quero ter que fugir de mim
eu não quero ter que fugir de você
eu não quero ter que fingir
que sou inabalável
desde quando se fortalecer
é não cair?
conhecer as ladeiras
nem sempre evita
que a gente escorregue por lá
e estabaque a cara no chão
e tudo bem, tudo bem errar
ontem eu deitei na cama
fechei os olhos
e tentei esquecer
todos esses nomes
que moram em mim
são tantos andando aqui dentro
que fico alternando entre ser tão boa
e tão péssima nessa coisa de deixar ir
depois tentei lembrar do barulho das ondas
como me faz falta o desaguar
hoje eu só vou dar conta de cuidar de mim
não posso doar quando estou oca
eu amo a minha solidão
mas também preciso de abraço
de colo, de porre, de convite
de ajuda, de norte, de fé
comigo ninguém pode
ou eu é que não posso
com ninguém?
às vezes quando falo sobre desmoronar
dizem pra deixar pra lá
eu nunca vi tristeza passar
sem ser sentida
ignorar as feridas
não vai estancá-las
tem que parar, olhar
lavar, passar remédio
e soprar, não tem?
a poesia não quer dizer
que sobreviver é artístico
sobreviver dói e arranca sangue
é que as palavras tem dessas
de acalentar
não se iluda
hoje eu não vou pra fronte da luta
nem precisa me chamar
eu não desisti não
só tenho que me restaurar
então vem sentar no sofá comigo
falar besteira e dar risada
cozinhar alguma coisa
conversar sobre as galáxias
até seis da manhã
curar começa quando
dizemos nossas verdades.
Uma oração de súplica - Sobre saber ser tudo, mesmo se sentindo ser nada (Imbolc 2019)
a minha estrada
nesse breu
que eu saiba golpear
mesmo no escuro
me emprestem a retina
de minhas ancestrais
que enxergaram fé
quando tudo era medo
se carrego relâmpagos
nas veias,
que eu saiba
que o que corre em mim
tem brilho
tem jeito
tem potência
eu sou capaz de fazer
a terra tremer
se sou vento,
que eu passe pelos vãos
dos seus dedos
que nada possa
me segurar
me limitar
me fazer
menos presente
vendaval não pede licença
pra escancarar as janelas
e o coração
se sou brisa leve,
que eu saiba me dividir
com aqueles que sorriem
ao me ver existindo
que eu saiba sustentar o amor
dentro do peito
dentro do abraço de quem me diz
que resistiremos
que lutaremos
que seremos
assim seja
se sou furacão,
então eu posso destruir
antes de ser destruída
e se preciso for
tiro absolutamente tudo do lugar
e defino como vai ser a partir
de agora
se sou sagrada,
que eu me benza com folhas
e búzios e velas e mãos entrelaçadas
quando dizem eparrei
a força que me invade
não me permite
o silêncio
se sou fogo,
que eu queime
antes de arder
quem sabe ser cinza e ser chama
sabe sobreviver
se sou nuvem carregada,
que eu me despeje e desague
e que mesmo que eu termine
chuva de granizo
nasci oceano
sou mais inconstante que o mundo
sou onde tudo começa e termina
sou a história que eu quiser contar
sou revide antes mesmo que alguém
tente me atacar
sou estrondo de trovão
meus pés descalços tocam o chão
estremeço
mas sou profunda demais
pra acabar.
De um Eu paralelo para Mim mesma (sem data)
a gente continua tendo muito em comum
existir de maneira mínima não nos interessa
nem nos basta
qualquer espaço ainda parece pouco
pra comportar todas essas
nossas partes imensas
somos mulheres densas
e eu sei que de madrugada você tem medo
de estar só, de não conseguir, de se entregar
e fica pensando quando é que vai mudar
de ares, de passado, de estado
me diz, o que você faz quando perde o chão?
quantas ausências se acumularam na sua retina?
o quanto você ainda consegue se doar?
a leveza não é algo permanente
às vezes ela vem e logo vai embora
temos que relembrar
como ela chegou e o porquê de ter saído
foi assim que aprendi a estar bem comigo
eu não só decorei o que me traz paz
como também sei bem o que me tira
pretinha,
será que o barulho das correntezas dos rios
não tem muito mais a nos dizer
que todas essas vozes
que moram na gente
mas não são nossas
será que nós não estamos buscando
um jeito, um toque, um sinal
que venha como um abraço quando
estamos chovendo torrencialmente
cansadas até mesmo de dar o nosso melhor
sentimos na boca do estômago a saudade do comum
de se jogar na rede de casa, de um beijo longo
copos cheios e cheiros no pescoço
ter quem não fuja
quando nosso peito alaga
ter um sono manso sem pensar na estratégia de guerra
dos amanhãs
pretinha,
o problema não é você continuar acreditando
é que nem todas as mãos podem abrigar
o seu poder ancestral
pretinha,
sei que pareço sempre armada
cheia dos patuás e de cara fechada
se você soubesse de tudo que passei
compreenderia que aprendi a me proteger
porque já me causaram tantos danos
foram anos pra eu me reencontrar
me gostar, me enxergar, buscar equilibrar
me roubaram tanto
agora não mais
e te digo, a dor não me fez bruta
mas sou marcada, difícil encarar as cicatrizes
de uma mulher selvagem que tem cada poro
em constante luta
pretinha,
me procure quando se perder e quando se encontrar
perdidas podemos esbarrar os nossos sonhos
e nossos caminhos de fé
inteiras podemos transbordar
nos demorar, nos elevar
meu bem,
a cura vem mesmo
devagar.
Sem título, sem nada
Insensato eu estar aqui, e viva. Insensato, isso de sobreviver: mas cá estou, na aparência inteira. Por onde vou deixo o rastro...
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Toda noite, ao deitar, me sinto mais atenta a três coisas: o tempo, a morte, e a solidão. Exilada de mim mesma, a sensibilidade aguça. O te...
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Não voltarei a ser. Serei outra.
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ontem eu vi relâmpagos eles me lembraram de pessoas que iluminam todos os espaços que ocupam como eu fui um dia mas hoje me falta tato e me...